Para a minha amiga

Para a minha amiga

Thais Reginas Pinheiro Torres, 02/06/1979 – 19/08/2008

Hoje uma das pessoas (ou “pessoinha”, como ela costumava dizer) morreu em um trágico acidente de trânsito em São Paulo. Como o acidente aconteceu não importa aqui dizer. Simplesmente, por uma dessas ironias do destino, ela estava no local errado e na hora errada. O resultado não poderia ser mais devastador para todas as pessoas que ela cativou com sua simpatia e alegria.

Thais Reginas Pinheiro Torres é irmã de Andressa Cristina. Segundo “consta” no anedotário familiar, o “S” no final de Regina foi uma falha do escrivão. O nome da irmã mais nova foi escolhido para rimar com o sobrenome da mais velha. Filha de Raimunildo e Maria Ayla, amava os pais mais que tudo nesse mundo. E, nos últimos anos também dedicava um amor mais que especial a temporã Babi.

Minha relação com a Thais começa antes de sermos namorados. Foi em 2004, quando ela era a chefe de reportagem da A Voz da Cidade e eu o estagiário recém contratado. Certamente 99% de tudo que aprendi eu devo a ela. Minhas primeiras matérias jornalísticas foi ela que editou. Foi ela que me incentivou e se hoje amo o meu trabalho e o faço com prazer foi porque ela acreditou em mim.

Começamos a namorar em 6 de outubro de 2004, um dia após o resultado das eleições municipais. Ela foi o primeiro relacionamento sério e duradouro que tive. Entre términos e retornos, brigas e reconciliações, ficamos juntos por quase três anos. Nesse período eu só me sentia seguro de mostrar meus textos após serem passados pelo crivo crítico dela. Acredito que 100% de tudo que produzi nesse período ela leu, corrigiu e deu opiniões. Enquanto ela não aprovasse, eu não me sentia seguro para publicar ou divulgar o que escrevia. Confiava cegamente no seu talento e na sua capacidade.

Mesmo depois de separados eu continuei enviando os textos para ela ler. Mas nossas “divergências” chegaram a um ponto que ela não respondia mais os e-mails e eu não esperava mais pela resposta. Confesso que até hoje, ou melhor, até segunda-feira, quando publiquei mais uma matéria, pouco antes de “fechar” a edição do texto, eu pensei: “Será que a Thais vai gostar do texto? Será que ela vai ler?”  Tinha esse pensamento para cada matéria que escrevia e sentia uma imensa vontade de enviar todos os textos para ela ler. Mas não fazia mais isso.

Recentemente chegou na minha caixa-postal um email dela dizendo que eu poderia ter escrito de maneira diferente um texto sobre uma matéria das Mulheres de 30 anos. Respondi assim: “Ué? Não sabia que você ainda lia meus textos” e ela respondeu: “Recebo todos os jornais. É meu trabalho lê-los todos os dias”. Como disse, nenhum dos dois dava o braço a torcer. O que posso dizer é que se eu escrevia com a expectativa de que ela lesse, não poderia ter recebido notícia melhor do que saber que ela lia e continuava com seu senso crítico. Thais morreu aos 29 anos.

Sei que na nossa relação eu e ela erramos muito. Me arrependo de cada um deles. Mas um erro, em especial, me corrói cada vez que lembro dele. Após mais uma dessas bobas brigas de casais eu resolvi apagar todos os comentários que ela havia feito para mim no meu blog. Entre esses comentários havia um, feito para me consolar quando minha mãe morreu. Até hoje eu me arrependo de ter apagado este recado e ela nunca me perdoou por ter apagado. Enquanto minha mãe estava doente e nos dias que precederam sua morte, a Thais foi meu porto seguro e àquela que apartou meu choro e minha dor. Hoje sou eu que sofro e choro por ela.

Thais era apaixonada por jornalismo. Ela era a única pessoa que eu tinha certeza que teria um futuro brilhante pela frente. Tudo que ela fez deu certo. E ela fazia tudo bem feito. Sua mudança para São Paulo significou para ela uma vitória pessoal. Lá, dizem, é a terra das oportunidades e em um dos últimos e-mails que troquei com ela, ela me disse: “Felipe estou muito feliz por aqui. Fiz frelas para Abril e para a revista D’uomu. O que eu quero é escrever para revistas. Saí da empresa de assessoria de imprensa em que estava e já estou empregada em outro local, desta vez, gerencio uma equipe. Na semana que vem começo um curso de telejornalismo”. Confesso que me senti orgulhoso do seu sucesso e mais uma vez reforçava a minha certeza de que ela era uma excepcional profissional.

Escrevo essas linhas com lágrimas nos olhos. Triste por perder uma das mais queridas amigas. A única que eu considerava a melhor de todas. A única que eu me espelhava e tinha como modelo de profissional. Enfim, ela era única. E o que mais me angustia é que eu tenho certeza que nunca vou encontrar ninguém igual a ela. Me orgulhava de tê-la como amiga e saber que ela também me considerava seu amigo. O fato de não darmos certos como namorados não impediria que nossa amizade florescesse. Mas a morte impediu.

O que me consola é que tudo que disse nessas linhas eu já havia falado para a Thais. Ela sabia que eu a admirava profundamente. Ela sabia que eu me espelhava nela. Ela sabia que eu gostava dela.

Na noite de ontem fortes foram suas duas amigas Raquel e Jussara. A Raquel mais ainda. Foi ela quem recebeu a ligação do hospital comunicando a morte e “obrigada” a reconhecer o corpo. Raquel teve que segurar uma barra que poucas pessoas conseguiriam. Há apenas três dias a Thais tinha se mudado para a casa de Raquel. E, quem poderia imaginar que passaríamos a madrugada no IML, Raquel, Jussara, eu e os tios da Thais, se preocupando com trâmites burocráticos para liberar o corpo. É inimaginável a dor que sentimos e que ainda sinto.

Foi uma injustiça do destino. Tenho certeza que sim. Mas quem somos nós diante desta poderosa força que rege todas as coisas? O que podemos fazer, senão aceitar os desígnios de Deus como sendo algo certo, quando a lógica indica que este trágico dia nunca deveria ter acontecido?

Sua luz, alegria e inteligência cativava a todos que ela tinha a sua volta. Nunca vi uma menina com tantos leais amigos. Sim, porque ter UM amigo é algo dificílimo. Thais tinha muitos. Todos, sem exceção, foram se despedir dela pela ultima vez no cemitério de Barra Mansa. Incrédulos, todos choravam e se perguntam como algo tão terrível poderia ter acontecido com uma menina tão sensacional.

Thais, não preciso dizer (porque você já sabe), mas eu e todos os seus amigos te amamos muito e vamos sentir muito a sua falta.

Utilidade Pública

 Para ver se o leite tem água oxigenada ou soda cáustica na composição:

 Beba 1 copo de leite à noite antes de dormir.

 - Durante a noite, se tiver vontade de peidar, peide à vontade.

 - Pela manhã, pegue um espelho e focalize sua bunda.

 - Se os pêlos estiverem loiros, você tomou leite com água oxigenada.

 - Se não tiver pelo nenhum, foi com soda cáustica.

Como é o inferno? Pergunte ao Zé

Este vale a pena comprar… Eu já vi e os desenhos são sensacionais. Confira na matéria abaixo.

Por: MARCO BEZZI

Ele esteve preso por 40 longos anos. Neste inferno, dormiu ao lado de baratas, dialogou com o capeta e sempre esteve próximo ao fétido depósito da podridão humana. Mas Zé do Caixão sobreviveu a tudo e a todos. Com o lançamento de seu mais novo filme, Encarnação do Demônio, na próxima sexta-feira, Seu Zé, 72 anos de carcaça, pretende capturar as almas que usufruíram de seus ensinamentos.

O que aconteceu anteriormente, nas quatro décadas de cárcere (ficcionais), é o que conta Prontuário 666, HQ realizada pela dupla Samuel Casal e Adriana Brunstein e publicada pela editora Conrad. A idéia de quadrinizar a ponte de 40 anos que separa Esta Noite Encarnarei no Teu Cadáver – o segundo filme do cineasta e criador de Zé do Caixão José Mojica Marins – e Encarnação do Demônio partiu de Paulo Sacramento, produtor do último longa de Mojica.

Primeiro, Sacramento pretendia que diversos quadrinistas desenhassem contos sobre o tempo em que personagem (Zé) e criador (José) foram jogados à revelia da sociedade. O primeiro a ser chamado para esta ‘diabólica’ empreitada foi o gaúcho Samuel Casal, que já carrega seis troféus HQMix – Samuel trabalha como ilustrador desde 1990, tendo publicado quadrinhos no Brasil (em álbuns como Ragú e Front), na América Latina, na França e na Espanha.

“Eu seria o responsável pelo último conto do livro. Fiz a história e, quando fui conversar com o pessoal da editora, eles me disseram que estavam com dificuldades (de chamar mais quadrinistas) por conta do curto prazo. Acabei aceitando fazer o livro todo em apenas dois meses”, revela o desenhista.

Para ajudar Samuel na missão, a Conrad chamou a paulistana Adriana Brunstein. A co-autora da HQ é aficionada pelo terror de Zé do Caixão. Roteirista de inúmeros curtas e do longa LizVamp (de Lis Marins, filha de Mojica), ela foi também assistente no roteiro de Encarnação do Demônio. “Todo o nosso trabalho, assim como o do Paulo, foi o de atualizar o personagem de Zé do Caixão”, conta Samuel. “Para isso, a Adriana foi fundamental.”

Super-herói brasuca
O lançamento simultâneo de filme e HQ traz à memória nomes como Homem-Aranha e X-Men. A ação de ilustrar o personagem de Zé do Caixão em várias plataformas é algo raro no País. Anteriormente, Zé já havia aparecido em capas de discos, peças de teatro, camisetas e mesmo em histórias em quadrinhos nos anos 60 (na revista O Estranho Mundo de Zé do Caixão, com o traço de Nico Rossi), mas nada comparado ao que seu personagem passará nesta semana.

Na abertura do livro, o produtor Paulo Sacramento escreve: “Assim como no filme, o desafio seria atualizar a narrativa, sem perder a essência tão marcantes ao personagem (e de seu criador). Trazê-lo enfim para os jovens leitores com a mesma força e fulgor que ele se impôs na época de seu surgimento.”

Para isso, Samuel utilizou-se do computador para dar vida ao personagem que teve sua primeira aparição em 1964. “Misturei meu trabalho de xilogravura com os vetores do computador. Consegui chegar a um resultado moderno, mas que não tira a essência do Zé do Caixão.” O próprio Mojica adorou o resultado. É dele uma das frases que fazem parte do livro: “Samuel traduziu de um jeito muito pessoal e impressionante a loucura não do personagem, mas do mundo em que vivemos”, escreve.

A loira e o tigre

A loira liga para o celular do namorado:

- Mor, oi, sou eu… Tô com um problema enorme.
- O que houve querida?
- Eu comprei um quebra-cabeça, mas é muito difícil..As peças não encaixam…
- Meu amorzinho, eu já te ensinei a montar vários tipos de quebra-cabeças, né? Primeiro você tem que achar os cantinhos… Esqueceu??
- Eu sei, lembrei que você disse isso, mas é que eu não consigo encontrar os cantos…
- Ok… Qual é a figura? Deve estar desenhado na caixa…..
- É um tigre…. Responde, apreensiva.
- Tigre? Não me lembro desse quebra-cabeças…. Se acalma. To indo praí.

Chegando lá, ela o leva até a cozinha e mostra o quebra-cabeça sobre a mesa.
O namorado dá uma olhada, balança a cabeça, chora, dá um soco na parede… Conta até 10, três vezes e, após longo e pensativo silêncio, não agüenta e explode:

- Bota já o Sucrilhos de volta na caixa !

Museu do Padre Quevedo? Sim, isto ‘ecxiste’

Mais uma matéria minha

Quem passa na frente de um pequeno prédio na bucólica Rua Paracuê, na Vila Madalena, não imagina que, ali dentro, há um museu repleto de imagens demoníacas, produtos de despachos, sapos com bocas costuradas e provas de fenômenos parapsicológicos. Este “acervo” arrepiante pertence a ninguém menos que Padre Quevedo – que, desde 1970, quando fundou o Centro Latino-Americano de Parapsicologia (Clap) no local, vem recolhendo, guardando e catalogando os mais diversos objetos que hoje compõem o Museu de Parapsicologia.

“Peço a todos que façam macumbas contra mim e me avisem onde elas estão para eu ir buscar. Quero guardá-las no museu. Isto non ecxiste”, diz Quevedo, repetindo o seu famoso bordão.

Ao entrar no museu, um inevitável calafrio sobe pela espinha. Muitas das peças são trabalhos espirituais para encomendar a morte do padre. “Veja, a vela é preta e vermelha. É para matar”, explica, apontando em seguida para uma estante onde é possível ver vários ataúdes em miniatura. Dentro de um deles, Quevedo encontrou um sapo vivo, com a boca costurada. “Levei para um oftalmologista e ele viu que dentro da boca do animal havia uma foto minha. O sapo morreu e eu o guardei num pote com álcool.”

Ignorando o significado maligno atribuído a esses objetos, é possível até encontrar beleza no museu. É o caso, por exemplo, de um singelo barco de madeira. Ele foi encontrado em um convento de freiras. Assustadas, elas não se atreveram a tocá-lo. Com várias figuras pintadas de preto em um minucioso trabalho de entalhe, o barco, segundo Quevedo, encomendava o mal para as freiras. “Achei-o bem feito, peguei e trouxe para o Clap.” Há ainda várias outras imagens. A maior tem 1,5 m de altura e foi encontrada em uma encruzilhada.

Colchão queimado
“Como o museu é pequeno, eu não trago peças repetidas”, explica Quevedo, que também reserva no local um espaço para provas de fenômenos parapsicológicos, como um colchão queimado, segundo o padre, por combustão espontânea. Manifestações como essa, diz Quevedo, só podem acontecer a até uma distância de 50 metros. “Estando mais longe, o inconsciente não consegue realizar este tipo de fenômeno”, afirma.

Entre as peças mais sinistras, Padre Quevedo cita uma centena de agulhas retiradas do corpo de uma mulher. Segundo o estudioso, ela as encontrou em frente à sua casa, espetadas em um ‘trabalho’. No dia seguinte, conta Quevedo, os objetos estavam dentro do corpo da moça. “É um fenômeno chamado aporte, algo parecido com o teletransporte”, explica.

O museu é aberto ao público – aos que tiverem coragem e estômago para entrar – e conta com quase 800 peças. No Clap há ainda uma vasta biblioteca com mais de nove mil livros sobre mágica, parapsicologia e doutrinas religiosas.

Museu do Clap (Centro Latino Americano de Parapsicologia). Rua Paracuê, 47, Vila Madalena. Aberto de segunda a sexta-feira, das 9h às 12h e das 13h às 19h. É necessário agendar horário pelo telefone 3873-8831.

A hora do espanto

Matéria que escrevi publicada no Jornal da Tarde.

Zé do Caixão, aos 72 anos, lança sua obra mais cara e mais aterrorizante.
“Encarnação do Demônio” requer do espectador um estômago de aço

Terceiro filme da trilogia de Zé do Caixão, “Encarnação do Demônio”, com estréia prevista para 8 de agosto, tem direção, fotografia, trilha sonora e produção dignas dos filmes de horrores mais assustadores já filmados. Fica a sensação de que o diretor José Mojica Marins, 72 anos, se inspirou nas mais bizarras cenas dos atuais arrasa-quarteirões como “O Albergue”, “Jogos Mortais” e “O Chamado”. Marins retruca: “Tenho 50 anos de cinema. Trata-se de uma continuação dos ‘À Meia-Noite Levarei Sua Alma’ e ‘Esta Noite Encarnarei no Teu Cadáver’, este último filmado há 42 anos.”

Para desfazer essa sensação, Mojica revelou ontem, após a exibição para a imprensa de “Encarnação do Demônio”, quando foi a primeira vez que viu uma cena realmente aterrorizante, responsável por lhe despertar o interesse pelo horror. A resposta beira ao humor escatológico. “Meu pai trabalhava em um cinema. Quando eu tinha quatro anos entrei na sala de projeção e vi um filme direcionado para mulheres sobre doenças venéreas. A primeira cena que vi na telona foi um órgão sexual feminino tomado pela gonorréia”, diz. “Até hoje tento recriar uma cena tão horrorosa quanto aquela, mas confesso que nunca consegui”, completa.

De fato, da sua cabeça surgem idéias tão assustadoras que um filme como esse não é recomendado para quem tem estômago fraco. “Conversando com Glauber (Rocha) ele me disse que nos meus filmes eu já tinha usado aranhas, ratos e escorpiões, mas nunca uma barata. Desta vez abusamos”, diz Marins, se referindo à cena em que mergulha a cabeça de uma mulher em uma tina com três mil baratas. Detalhe: a atriz é sua esposa, Leny Dark, 23 anos. “Lidar com esses bichinhos é bem difícil. Eles correm e voam para todos os lados.”

O filme começa com Zé do Caixão sendo libertado após 40 anos preso. De volta às ruas, o coveiro está decidido a cumprir a meta que o levou à prisão: encontrar a mulher que possa gerar seu filho. O orçamento da produção foi de R$ 1,8 milhões e tem distribuição da Fox.

Presente na história como o Coronel Claudiomiro Pontes, Jece Valadão, morto em 2006, aparece neste que foi seu último trabalho. Mojica explica que o escolheu porque procurava um antagonista tão forte quanto Zé do Caixão. No enredo, o Coronel tem ódio mortal de Zé por tê-lo cegado no passado. Aliás, o filme é recheado de flashbacks com cenas originais dos primeiros filmes da trilogia, facilitando a compreensão para quem não viu.

“Depois de tantos anos, decidi que este filme seria mais aterrorizante do que todos os que já tinha feito”, lembra Marins para destacar que para os testes de elenco apareceram as pessoas mais bizarras. “Muita gente esquisita e feia. Exatamente o que eu procurava”, diverte-se. As cenas, sem cortes ou efeitos especiais, mostram pessoas sendo suspensas por ganchos fincados na pele, demônios costurando com linha cirúrgica a boca de condenados a ‘danação eterna’ e belas mulheres nuas sendo submetidas as mais nojentas torturas com ratos, aranhas, baratas e muito sangue.

“Encarnação do Demônio” antes mesmo de estrear em circuito comercial, já ganhou seis prêmios no Festival Paulínia de Cinema, entre eles de “Melhor Filme”, “Melhor Fotografia” e “Melhor Trilha Sonora”. “Disputamos com filmes que nada têm a ver com o terror.”

Só não chamem o Zé de ‘trash’
José Mojica Marins criou o Zé do Caixão em 1963 depois de um pesadelo em que ele via uma figura sombria de capa e cartola lhe enterrando vivo. Ao perceber que esta figura era ele mesmo, acordou assustado e começou a escrever o roteiro de “À Meia-Noite Levarei Sua Alma”, filmado em 1964. Nascia aí um personagem tão forte no imaginário brasileiro quanto o Jeca Tatu e mais assustador que os folclóricos Curupira, Mula Sem Cabeça e Saci Pererê.

Para falar sobre o filme, Mojica reuniu ontem no Cine Sesc, na Rua Augusta, parte do elenco e da produção. Entre eles, Milhem Cortaz, que faz o Padre Eugênio, um personagem que busca vingança contra Zé do Caixão por ele ter matado seu pai. “Depois de ter feito este filme, não me sinto mais a mesma pessoa”, diz Milhem.

Ao explicar a demora em filmar o último número da trilogia, 42 anos depois, Marins usou do bom humor. “Primeiro foi a ditadura que queria mudar a história e o título. Depois, outros três produtores tentaram fazer, mas acabaram morrendo”, diz. “Senti novamente minha vitalidade quando estava dirigindo uma das primeiras cenas do filme. Estava lá eu e o Zé Celso Martinez Corrêa em meio a condenados à danação eterna no purgatório.”

No único momento em que Marins perdeu o bom humor e pareceu ficar um pouco irritado foi quando lhe perguntaram se seu filme era trash (lixo). “Nunca digo que meus filmes são trash. É um termo que não gosto. É um filme de baixo orçamento que para mim é uma super produção, posso dizer que o considero a Bíblia do terror da América Latina.” A prinícipio, os planos da Fox é trabalhar o filme no Brasil. “Temos planos para levar o novo filme de ‘Coffin Joe’ para o exterior, mas a prioridade é o Brasil”, diz Tito Liberato, da Fox.

Animado com o sucesso, Marins revelou que seu próximo trabalho se chamará “Devorador de Olhos”. “Trata-se de uma pessoa doente que gosta de arrancar os olhos das mulheres”, diz, para completar logo em seguida: “Eu sigo o caminho de Deus, mas a minha verdadeira religião é o cinema.”

Caminhando e…

Eu não aprendo. Não dá para andar na rua lendo livro. Você necessariamente precisa estar parado. Da primeira vez eu resolvi ler enquanto descia alguns lances de escadas. Pisei em falso e quebrei o pé. A segunda merda (literalmente) aconteceu hoje. Eu tinha a impressão de que algum dia poderia ser atropelado ou na melhor das hipóteses pisar em coco de cachorro. Pois bem, não vi o cocô.

Agora, espero, aprendi a não andar e ler ao mesmo tempo.

Mensagem Subliminar

Fique a cinco metros da fotografia e verá que elas irão se alterar.

Casa comigo Ivete

Flagrante de um gaiato que levou essa placa para o Rock In Rio Lisboa.

Gay Talese está resfriado

Nos EUA, os piores presidentes não tiveram amantes

Autor de “A Mulher do Próximo” diz que americano não está mais moralista e que falar de sexo simplifica a política. O escritor e jornalista americano Gay Talese, que escreveu livro-reportagem sobre sexo nos EUA

DANIEL BERGAMASCO
DE NOVA YORK

GAY TALESE está resfriado. Telefona para o repórter da Folha, atendendo ao pedido deixado na secretária eletrônica, e avisa, raspando a garganta: “Me resfriei e vou viajar, não posso receber você em casa. Mas posso falar agora sobre o Spitzer, tenho poucos minutos”, diz o escritor de 76 anos, um dos pais do jornalismo literário, autor de reportagens antológicas reunidas nas coletâneas “Aos Olhos da Multidão” e “Fama e Anonimato” e de obras como “O Reino e o Poder”, sobre o “The New York Times”, onde atuou como repórter.

Talese diz que a sociedade americana não está mais ou menos moralista desde que ele publicou em 1980 “A Mulher do Próximo”, livro-reportagem que retrata a transformação sexual e moral dos Estados Unidos entre as décadas de 1960 e 1970. Contudo, diz, a mídia repete tanto as informações sobre escândalos sexuais que faz que as pessoas se importem com eles, como no caso do ex-governador de Nova York Eliot Spitzer, que, casado, renunciou no último dia 12 após confirmar que era cliente fiel de uma rede prostituição. Nesse caso, afirma Talese, o escândalo foi bem-vindo. “Não é que ele esteja vivendo uma vida tão diferente de muitas outras pessoas, tendo uma prostituta, uma amante. Mas a diferença é que ele preconizava uma posição de moralidade, ele quis fechar bordéis, e aí aparece que ele era cliente de bordéis. É bom que ele seja exposto”, diz o escritor.

FOLHA - O que mudou no moralismo americano entre “A Mulher do Próximo” e o escândalo sexual do governador Eliot Spitzer?
TALESE - O moralismo não mudou. A mídia mudou.

FOLHA - De que forma?
TALESE - Quando escrevi “A Mulher do Próximo”, a mídia não discutia tanto infidelidade, não transformava a vida privada das pessoas em colunas de notícias. John Kennedy foi presidente dos Estados Unidos e teve muitos casos, mas ninguém escrevia sobre sua vida sexual. Havia rumores, mas isso nunca foi conhecido, como foi com Bill Clinton, ou agora, com o governador de Nova York, ou com o senador [Larry] Craig, o homossexual [que renunciou após assediar um homem em banheiro de aeroporto, em 2007]. Na França, quando François Mitterrand foi presidente, não havia discussão sobre seu filho ilegítimo. Mas a mídia americana publica hoje sobre qualquer coisa.

FOLHA - Os eleitores levam em conta o comportamento sexual do candidato?
TALESE - Não acho que faz diferença nenhuma desde que não se relacione com seu trabalho. John Kennedy foi um presidente muito bom e tinha amantes. Bob Kennedy, seu irmão, tinha amantes. Eram casados e tinham amantes. Lyndon Johnson tinha amantes. Eisenhower. Todos nossos bons presidentes tinham amantes. O presidente Richard Nixon não tinha amantes e foi um presidente ruim. Esse cara, George W. Bush, é um presidente ruim. E não tem amantes. Entende? Bill Clinton foi muito bom e teve. Os piores presidentes são os que não tiveram amantes. Nixon foi o pior de todos os tempos. E Bush é o segundo pior. Se Bush tivesse amantes, talvez não estaria matando tanta gente no Iraque e tendo essa politica de destruir a vida de tanta gente.

FOLHA - O senhor quer dizer que, se a vida sexual de Bush fosse menos comportada, seu governo seria melhor?
TALESE - Não digo que seria melhor, mas quando você olha… Os bons presidentes não eram pessoas que se “comportavam” sexualmente. Martin Luther King tinha muitas amantes. Matin Luther King! Nós temos um feriado para ele, ele é um herói nacional. E tinha muitas amantes. Muitas. Ele era um cara mau? Não, não era.

FOLHA - O desrespeito da privacidade dos políticos é sempre ruim?
TALESE - Depende. Não é bom ou ruim. O que você quer dizer com bom ou ruim? Spitzer é um hipócrita, e é bom que ele seja exposto como hipócrita. Não é que ele esteja vivendo uma vida tão diferente de muitas outras pessoas, tendo uma prostituta, uma amante. Mas a diferença é que ele preconizava uma posição de moralidade, ele quis fechar bordéis, e aí aparece que ele era cliente de bordéis. É bom que ele seja exposto. O outro cara que o substituiu [David Paterson] diz que não tem um casamento perfeito. Mas quem tem? Pelo menos ele trouxe um pouco de verdade para o governo. Spitzer é um hipócrita.

FOLHA - Como repórter, hoje em dia, você publicaria matérias sobre esse escândalo?
TALESE - Não vou dizer que não publicaria, porque, se alguém mais publicar, você tem que publicar. Você não pode fingir que não viu, porque todo mundo sabe sobre isso, está na televisão, nos websites. Se você está no negócio de publicar jornais, tem que publicar o que é considerado notícia. É que hoje em dia tudo é notícia, o que não acontecia 30 anos atrás. É bom ou ruim? Eu não sei. O que acontece é que pelo menos força as pessoas a viverem em coerência com o que dizem.

FOLHA - O sr. avalia mesmo que nada mudou moralmente na sociedade? “A Mulher do Próximo” mostra, por exemplo, a revista “Playboy” como algo chocante e depois mais respeitada, mas hoje em dia a revista é uma instituição americana.
TALESE - Eu mostrava como aquilo mudou naquela época. Nós tivemos mudança real nos anos 1960 e 1970, quando escrevi aquele livro. Pouca coisa mudou desde então. Exceto que a mídia fala mais sobre sexo agora porque há mais liberdade para isso. Mas você não vê pessoas tendo relação sexual com penetração na TV, não ouve certas palavras na TV. Há restrição sobre o que você pode dizer, o que você pode ver. Você não pode ver homem nu na TV mostrando o pênis, não pode. No Brasil também não pode, tenho certeza.

FOLHA - Mas, se a mídia muda, a percepção da sociedade não muda juntamente com ela?
TALESE - Eu acho que a mídia mantém a história viva. Quando Bill Clinton teve uma pequena vida sexual com Monica Lewinsky, isso não tinha nada a ver com o trabalho dele como presidente. Não ocupou muito tempo dele. Mas a mídia fez uma história enorme, e aí as pessoas começam a se importar. Lembra que o papa João Paulo 2º estava visitando [Fidel] Castro naquela época? Ele estava indo para Havana e toda a mídia estava lá para cobrir o papa. Quando houve o rumor de que o presidente Clinton teve esse pequeno caso sexual no Salão Oval, todo mundo deixou Havana. Toda a mídia foi embora. E o papa não tinha com quem falar. Não havia cobertura de Castro encontrando o papa. A mentalidade da mídia está toda voltada para escândalos sexuais. A mídia conduz a história.

FOLHA - Por quê?
TALESE - Sexo não é complicado. Política é complicado. Na campanha, veja, as pessoas não ligam para propostas. Elas gostam de histórias simples, escandalosas, com o mais baixo, o menor denominador comum. E a mídia provê isso. A mídia é que conduz a história.

FOLHA - Mas por que o governador renunciou, se as pessoas não se importam tanto assim?
TALESE - A mídia faz as pessoas se importarem, porque repete, repete, repete e repete a história. Fica batendo até a morte. A mídia quer manter a história. Acho que é bom que Spitizer tenha sido exposto como hipócrita, porque é. Já Bush não é um hipócrita sexual, mas é hipócrita em várias outras formas.

FOLHA - Em que formas?
TALESE - Ele diz que estamos tentando levar democracia para o mundo. E não estamos. Estamos invadindo o mundo, forçando eles [outros países] a se ajustarem a nossa política. A administração de Bush critica os chineses em direitos humanos, e nós invadimos os países de outras pessoas e levamos atrocidades para esses países. Não estamos em uma posição em que podemos dizer que somos melhores que os outros. Somos piores, de certo modo.
 
O original: http://www1.folha.uol.com.br/fsp/brasil/fc2403200816.htm

Afinal, que raios significa ‘Satyagraha’?

Afinal, o que significa “Satyagraha”, o “criativo” nome dado para nova operação da Polícia Federal que prendeu e soltou Daniel Dantas e blá-blá? Dada a dificuldade de pronunciar a operação, caiu na boca do povão o novo apelido: Sagatiba (nome de uma cachaça famosa em terras paulistanas).

Vamos a explicação: “Satyagraha é um termo cunhado pelo pacifista indiano Mahatma Gandhi em sua campanha pela independência da Índia. Em sânscrito, Satya significa ‘verdade’. Já agraha quer dizer ‘firmeza’. Desta forma, Satyagraha é a ‘firmeza na verdade’, ou ‘firmeza da verdade’”.

Aí entra a outra questão: de onde a polícia federal tira esses nomes? “Navalha”, “Toupeira”, “Narciso”, “Sanguessugas”, a lista não para. Mais do que uma estratégia de marketing para as ações da polícia o cara precisa ser muito criativo para pensar nesses nomes. Além do mais, fica muito mais fácil para um jornalista na hora de fazer a manchete. “Operação Navalha desbarata quadrilha”… Mas, quem é o cara responsável por pensar esses nomes? Imaginei que poderia dar uma pauta e voilà, a Revista Piauí descobriu o homem: Zulmar Pimentel.

Mas, mais do que isso, o escritor Marconi Leal escreveu uma engraçadíssima crônica imaginando o dia que o homem da PF entrou em crise de criatividade.

Divirtam-se:

 - Piauí: Estalos lítero-policiais - um nome que vale do que mil prisões.
 - Marconi Leal: Crise criativa na sede da PF

Já que chorar não vai adiantar com esse prende-solta-prende, a única coisa que nos resta é rir da desgraça alheia.

Capa da New Yorker

Repara só no cantinho esquerdo. hehehehe…

De olho nas pesquisas

De olho nas pesquisas, a frase de hoje vem do blog do Tutty Vasques:

“O eleitorado do Rio está fazendo o que pode

para um dia sentir saudades da Rosinha.”

Cada doido com a sua mania

Eu assumo. Tenho uma mania. Gosto de usar as coisas até o fim.

A mais difícil delas foi acabar com a carga de tinta de uma caneta Bic. Depois que consegui a primeira vez, o resto foi fácil. Hoje tenho uma coleção de canetas na minha gaveta aguardando e ávidas por serem usadas até o fim. Odeio quando a caneta some sem que eu não consiga terminar de usar toda a carga. Não pelo preço da caneta e sim pelo prazer de vê-la falhando pouco antes da tinta secar. Ontem uma delas sumiu e muito puto tive que sacar uma nova de minha coleção.

Já preenchi também todas as folhas dos meus bloquinhos de notas e cadernos. Gosto de usar todas até o fim antes de comprar um caderno novo. Também já detonei sozinho um rolo de papel higiênico, um pote de detergente, uma lata de doce de leite e duas caixas de sabão em pó. Além de usar três vidros completos de perfume e mais alguns outros de loção pós-barba e desodorante. Tudo a seu tempo, claro. Não uso apenas por usar. Vou usando quando preciso até acabar.

Desse hábito estranho, a vertente mais bizarra é o meu gosto por usar todas as roupas limpas que estão no armário. Só depois que não sobrar nenhuma é que volto a usar as outras. Devidamente lavadas, claro.

De todos os prazeres mundanos que se pode ter eu ainda guardo uma frustração. Nunca consegui acabar, ou pelo menos presenciar o fim, de um rolo de fio dental. Dentro do armário do banheiro ou estacionado na gaveta embaixo da mesa de trabalho, está lá, onipresente, um rolinho inacabado que insiste em continuar como está.

Socorro! Os pezinhos do nado sincronizado vêm aí!

Reproduzo abaixo o texto publicado por Geneton Moraes Neto no Sopa de Tamanco. Divirtam-se. hehehe.

SOCORRO ! OS PEZINHOS DO NADO SINCRONIZADO VÊM AÍ!

Socorro ! Tirem as crianças da sala ! Tranquem as portas ! Contratem seguranças particulares !

Motivo: as Olimpíadas vêm aí. Com elas, duas desgraças que assolam nossos olhos e ouvidos de quatro em quatro anos: o festival de subliteratura que jorra dos vídeos e dos páginas em reportagens sobre “superação”. Haja textinho pauperriminho descrevendo a saguinha de menininho pobrinho que andava cinquentinha quilômetros para treinar para a maratona. Como diria Jaqueline Kennedy ao recolher os miolos do marido estilhaçados pelas balas de Lee Oswald em Dallas: “Oh, no!”.

O mais assustador : o espetáculo do nado sincronizado. Ah, Nossa Senhora do Espanho: o que é que faz seres bípedes, mamíferos, supostamente cerebrados, ficarem de cabeça para baixo dentro de uma piscina enquanto movem os pés sincronicamente diante dos olhos atônitos do planeta ?

Se crianças inocentes e desprevenidas pousarem os olhos na TV justamente neste momento, o que é que pensarão sobre a espécie humana ? Por que fazê-las carregar , pelo resto de seus dias, traumas de que jamais se livrarão ? Quantos mil reais os pais terão de gastar, depois, com psicólogos que serão convocados para a vã tarefa de trazê-las de volta à sanidade ? O prejuízo, para os cofres privados e também para os públicos, é “inestimável”.

Os riscos a que se expõem os espectadores das competições de nado sincronizado são,portanto, gravíssimos.

Prefiro um bom filme do velho e infalível Fred Kruger.

É mais divertido.

E menos assustador.

Pior do que assistir a um espetáculo de nado sincronizado, só há uma cena : ver um jornalista pontificando sobre o que é que interessa e o que é que não interessa ao distinto público.

É triste mas é de matar de rir.

Eu mesmo dou dez voltas na tumba, a cada vez que testemunho uma cena dessas.

A vida pode ser engraçada. Quem disse que não ?

Geneton Moraes Neto

Se ele pode, eu também posso

Foto flagrante de hoje vem do jornal inglês The Sun. A foto mostra o Ronaldinho com sua barrigona. Se ele pode e ainda é famoso, porque não eu? Gordo, eu?

Faixa de Pedestre

Barramansense deve adorar faixas de pedestres. Ontem, lá na rodoviária, eis que vejo uma nova pintura nas ruas. Desta vez uma faixa atropelou a outra e fez uma espécie de malha xadrez. Sensacional! Nem nos países mais civilizados do mundo é possível encontrar tantas faixas.

Caricatura da turma

Abaixo uma caricatura do pessoal do Variedades feito por um dos desenhistas de Mauricio de Sousa

Um dia no Parque da Mônica

Matéria que fiz para a edição especial do Mauricio de Sousa, para o caderno de Variedades, do Jornal da Tarde. Neste dia eu me fantasiei de Cebolinha e passei um dia no Parque da Mônica. Repare nas fotos. O Cebolinha com o barrigão e na outra, eu com meus colegas de editoria, ao lado dos atores de verdade.

Estava realizando um sonho de infância. Era a primeira vez que visitava o Parque da Mônica e seria em grande estilo. Afinal, iria me fantasiar de Cebolinha. Confesso que quase desisti quando na entrada vi uma fila com umas sessenta crianças. Nunca levei jeito para as artes cênicas. O máximo que me aproximei de uma experiência como essa foi quando me fantasiei de Tio Barnabé para ajudar meu irmão na peça do ‘Sítio do Pica-Pau Amarelo’. Foi traumático.

Respirei fundo e decidi enfrentar a vergonha crônica. Na hora de vestir a fantasia, fui o que mais demorou. Ela não entrava em mim. Concluí, meio deprimido, que precisava emagrecer. “Um Cebolinha gordo? Onde já se viu?”, me criticaram no camarim. Quase todos concordaram, menos eu. Encolhi a barriga e me enfiei na malha de lycra. “Olha ‘plá’ mim”, me disse um dos atores querendo me ensinar alguns movimentos. Estava quase me sentindo o próprio Cebolinha.

Antes de sair do camarim, um grande aviso nos alertava de que, a partir daquele instante, eu não seria mais o Felipe, mas o Cebolinha. Agora, sim, o frio na barriga era devastador. Embaixo daquela máscara, uma gota de suor escorreu pelo meu rosto denunciando meu nervosismo. Respirei fundo mais uma vez e atravessei a porta.

A primeira manifestação do sucesso da turminha foi imediata. Um menino, quando me viu, arregalou os olhos e gritou feliz para o pai: “Olha o Cebolinha!”. E veio correndo tirar uma foto. Aí eu travei. O que fazer? Eu não sabia. O monitor continuou me encaminhando pelo parque e a reação das crianças era quase sempre a mesma.

O medo de errar a pronúncia me fez calar. Disse poucas palavras com receio de não conseguir trocar o “R” pelo “L”. Mas não precisei falar muito também. Isso porque uma turma de aproximadamente 40 crianças que me cercou gritava enlouquecida: “Cebolinha! Cebolinha! Cebolinha!”. Foi emocionante e ao mesmo tempo assustador. Mais uma vez, o monitor me salvou. Mais poses, mais fotos, mais beijos e abraços. A emoção era grande.

O passeio pelo parque já estava quase chegando ao fim quando tive a certeza de que essa era uma experiência que certamente eu gostaria de repetir. No fim das contas, graças aos quilinhos a mais, ganhei um novo apelido: Cebolão.

Foto do Dia

Depois da mulher melancia, da mulher samambaia, apresento-lhes a mulher sofá:

Passo pintando pelas portas e portões

Pedro Paulo  Pereira Pinto, pequeno pintor português, pintava portas, paredes, portais.
Porém, pediu para parar porque preferiu pintar panfletos.

Partindo para Piracicaba, pintou prateleiras para poder progredir.
Posteriormente, partiu para Pirapora. Pernoitando, prosseguiu para Paranavaí, pois pretendia praticar pinturas para pessoas pobres.
Porém, pouco praticou, porque Padre Paulo pediu para pintar panelas, porém, posteriormente pintou pratos para poder pagar promessas.
Pálido, porém personalizado, preferiu partir para Portugal para pedir permissão para papai para permanecer praticando pinturas, preferindo, portanto, Paris.
Partindo para Paris, passou pelos Pirineus, pois pretendia pintá-los.
Pareciam plácidos, porém, pesaroso, percebeu penhascos pedregosos, preferindo pintá-los parcialmente, pois perigosas pedras pareciam precipitar-se principalmente pelo Pico, porque pastores passavam pelas picadas para pedirem pousada, provocando provavelmente pequenas perfurações, pois, pelo passo percorriam, permanentemente, possantes potrancas.
Pisando Paris,  pediu permissão para pintar palácios pomposos, procurando pontos pitorescos, pois, para pintar pobreza, precisaria percorrer pontos perigosos, pestilentos, perniciosos, preferindo Pedro Paulo precaver-se.
Profundas privações passou Pedro Paulo.
Pensava poder prosseguir pintando, porém, pretas previsões passavam pelo pensamento,
provocando profundos pesares, principalmente por pretender partir prontamente para Portugal.
Povo previdente! Pensava Pedro Paulo…
Preciso partir para Portugal porque pedem para prestigiar patrícios, pintando principais portos portugueses.
Paris!Paris! Proferiu Pedro Paulo.
Parto, porém penso pintá-la permanentemente, pois pretendo progredir.
Pisando Portugal, Pedro Paulo procurou pelos pais, porém, Papai Procópio partira para Província.
Pedindo provisões, partiu prontamente, pois precisava pedir permissão para Papai Procópio para prosseguir praticando pinturas.
Profundamente pálido, perfez percurso percorrido pelo pai.
Pedindo perfeita permissão, penetrou pelo portão principal.
Porém, Papai Procópio puxando-o pelo pescoço proferiu:
Pediste permissão para praticar pintura, porém,praticando, pintas pior.
Primo Pinduca pintou perfeitamente prima Petúnia.
Porque pintas porcarias?
Papai, proferiu Pedro Paulo, pinto porque permitiste, porém, preferindo, poderei procurar
profissão própria para poder provar perseverança, pois pretendo permanecer por Portugal. Pegando Pedro Paulo pelo pulso, penetrou pelo patamar, procurando pelos pertences. Partiu prontamente, pois pretendia pôr Pedro Paulo para praticar profissão perfeita: pedreiro!
Passando pela ponte precisaram pescar para poderem prosseguir peregrinando.
Primeiro, pegaram peixes pequenos, porém,passando pouco prazo, pegaram pacus, piaparas, pirarucus.
Partindo pela picada próxima, pois pretendiam pernoitar pertinho, para procurar primo Péricles primeiro.
Pisando por pedras pontudas, Papai Procópio procurou Péricles, primo próximo, pedreiro profissional perfeito.
Poucas palavras proferiram, porém prometeu pagar pequena parcela para Péricles
profissionalizar Pedro Paulo.
Primeiramente Pedro Paulo pegava pedras, porém, Péricles pediu-lhe para pintar prédios, pois precisava pagar pintores práticos.
Particularmente Pedro Paulo preferia pintar prédios.
Pereceu pintando prédios para Péricles, pois precipitou-se pelas paredes pintadas.
Pobre Pedro Paulo, pereceu pintando…
Permita-me, pois, pedir perdão pela paciência, pois pretendo parar para pensar…
Para parar preciso pensar.
 
Pensei.
 

Portanto, pronto, pararei.

P-O-R-R-*&^&^%%$#$#$

Frase do Dia

SE A NOVA LEI É: BEBEU? NÃO DIRIJA!
ENTÃO, PERGUNTO: QUEM VAI DIRIGIR O BRASIL?

Piadas rápidas

TRANSA MÁGICA
Um cara chega para uma mulher e diz:
- Tá afim de uma transa mágica?
A mulher pergunta:
- Como é uma transa mágica?
Ele diz:
- É muito simples, a gente transa e depois você desaparece.

FESTA DE ARROMBA
O menininho pergunta pra mãe:
- Mamãe, mamãe! Por que você é branca, papai é negro e eu sou japinha…
- Ah, meu filho! Se você soubesse a festa que houve naquele dia…você deveria estar contente por não latir.

VELHOS
Dois velhinhos conversando:
- Você prefere sexo ou Natal?
- Sexo, claro! Natal tem todo ano, enjoa.
    
TRABALHO
No consultório, fim de tarde, o médico dá a péssima notícia:
- A senhora tem seis horas de vida.
Desesperada, a mulher corre para casa e conta tudo para o marido.
Os dois resolvem gastar o tempo que resta da vida dela fazendo sexo.
Fazem uma vez, ela pede para repetirem.
Fazem de novo, ela pede mais. Depois da terceira vez, ela quer de novo.
E o marido:
- Ah, Isolda, chega! Eu tenho que acordar cedo amanhã. Você não!

MARIMBONDO
portuguesinha de 10 anos vai pescar com o pai e volta com o rosto todo inchado.
A mãe, assustada, pergunta:
- Minha filha, que houve?
- Foi um marimbondo, mamãe…
- Ele te picou ?
- Não deu tempo. O papai o matou com o remo.

HERANÇA
O médico atende um velhinho milionário que tinha começado a usar um revolucionário aparelho de audição:
- E aí, seu Almeida, está gostando do aparelho?
- É muito bom.
- Sua família gostou?
- Ainda não contei para ninguém, mas já mudei meu testamento três vezes.

ALEMÃO
A avó pergunta à neta:
- Aninha, como é mesmo o nome daquele alemão que me deixa louca ?
- Alzheimer, vovó.

Rostos dos Objetos

O site fica encontrando nos objetos seus rostos. Bem curioso. Confira. No link mais fotos

Quem gosta de privacidade é mulher feia

Coluna do Tutty Vasques no Estadão. Muito engraçada. No link.

Quem gosta de privacidade é mulher feia

Ambulatório da notícia - Unidade de tratamento para quem sai mal na foto

Tutty Vasques - O Estado de S.Paulo
SÃO PAULO - O conceito de evasão de privacidade tem se enriquecido ao longo dos tempos com exemplos práticos inimagináveis há 10 ou 15 anos, quando a indústria de celebridades começou a virar negócio de peso no Brasil. Não passava pela cabeça de ninguém a possibilidade, por exemplo, de um cirurgião plástico rachar com uma rainha de bateria a divulgação de foto em que protagonizam uma aplicação de botox. Quem navegou pela internet esta semana pode ter cruzado com a seringa do Dr. Ricardo Cavalcanti espetada na testa de Viviane Araújo. “Eu adoro botox!” - informou a ex-namorada do Belo, através de sua assessoria de imprensa.

Quando ninguém falava ainda “mídia” era muito mais difícil plantar notícias nela. Dia desses, de Paris, a ex-BBB Gyselle Soares acionou seu esquema de divulgação no Brasil com um comunicado que pode virar clássico da evasão de privacidade: atropelada por uma moto, a menina foi levada para casa pelo próprio motoqueiro, e passa bem. Há três décadas, esse tipo de ocorrência em Paris só virava notinha de jornal por aqui se a vítima fosse Brigitte Bardot ou o atropelador, o Allan Delon em pessoa.

Não sei exatamente a partir de quantas aparições no sistema de busca do Google uma aspirante a celebridade se consagra, mas Gyselle Soares é sem dúvida um fenômeno nessa arte: em menos de um ano de exposição pública, seu nome consta de “aproximadamente 432.000″ citações em páginas da internet. Viviane Araújo, cuja fama de mulherão precede a banda larga, tem menos aparições - “aproximadamente 387.000″ -, mas também pode se gabar de estar mais à vista na web do que Ana Paula Arósio (160.000), Marília Gabriela (193.000), Fátima Bernardes (198.000), Cláudia Raia (206.000) e Hebe Camargo (209.000).

Nesse mundo em que a Mulher Melancia já superou a marca de 1 milhão de menções localizadas pelo Google, Adriane Galisteu beira a faixa das 500.000 citações. É, entretanto, imbatível nesse negócio de aparecer quando, como agora, não tem nada para fazer. Fora do ar na grade do SBT e fora de cena no teatro, ela é notícia quase todo dia. Sua vida é uma novela que a gente acompanha mesmo sem querer. Nas últimas três semanas, Adriane Galisteu se superou. Na quinta-feira passada, a loura já acumulava um press cliping impressionante desse período, só com histórias que não interessam a ninguém.

Vou tentar contar de uma vez só sem perder o fôlego: entre os dias 27 de maio e 20 de junho, Adriane Galisteu beijou a aniversariante Luiza Brunet na boca, vestiu terno, gravata e óculos masculinos na festa de lançamento do Audi R8, dormiu com a mãe no hospital no Dia dos Namorados, saiu do show de Ana Carolina alimentando boatos de relacionamento com a cantora, carregou a amiga Iamim Araújo na garupa de sua lambreta no Leblon, foi processada pelo Conselho Regional de Enfermagem por “incentivo ao fetichismo”, meditou na praia, deu entrevista para o programa de João Gordo na MTV e ainda roubou a cena da São Paulo Fashion Week anunciando seu namoro com Alexandre Iódice. Ninguém acreditou, mas e daí?

No futuro, quando todo mundo puder viver seu big brother particular no noticiário, Adriane Galisteu será lembrada como uma revolucionária da evasão de privacidade. A primeira mulher que curtiu o ócio como se fosse o ápice de sua carreira. Tem lá seu valor!

A inveja é uma…
Letícia Weber, a noiva que Aécio Neves estreou no Mineirão, caiu na boca do povo em Belo Horizonte depois da pelada de quarta-feira contra a Argentina. No final do jogo, comentava-se sem qualquer constrangimento entre os convidados do governador: “Ele escolheu a loura mais pé-frio da cidade, sô!”.

Desculpaí, ó!
Benedita da Silva, que pouca gente sabe é secretária de Assistência Social do Estado do Rio, foi a última autoridade a subir o Morro da Providência para se desculpar com a comunidade. Explicou ao pessoal que saiu de casa antes de o ministro Nelson Jobim deixar Brasília, mas pegou o ônibus errado e…

Fidel, o ingênuo
Paula Lavigne não quis sair publicamente em defesa de Caetano, mas acha que, nessa arena que virou bate-boca com Fidel, o ex-marido está coberto de razão. Se o maior pecado do artista baiano fosse “curvar-se ao império”, como acusa o Comandante, francamente, ela não teria se separado dele.

Adeus, tcheca
O brasileiro perdoa tudo numa mulher, menos celulite. A top tcheca Karolina Kurkova virou uma espécie de Dunga da São Paulo Fashion Week. Só não foi vaiada ao dar aquela viradinha na passarela porque reina a hipocrisia no mundo da moda. Ô, raça!

Avisos Paroquiais

Santa ingenuidade ou criatividade?
São avisos fixados nas portas de uma igreja,
todos eles reais, escritos com boa
vontade - porém (má redação).

AVISOS AOS PAROQUIANOS
Para todos os que tenham filhos e não sabem, temos na paróquia uma área especial para crianças.

AVISOS AOS PAROQUIANOS
Quinta-feira que vem, às cinco da tarde, haverá uma reunião do grupo de mães. Todas as senhoras que desejem formar parte das mães,  devem dirigir-se ao escritório do pároco.

AVISOS AOS PAROQUIANOS
Interessados em participar do grupo de planejamento familiar, entrem pela porta de trás.

AVISOS AOS PAROQUIANOS
Na sexta-feira às sete, os meninos do Oratório farão uma representação da obra ‘Hamlet’ de Shakespeare, no salão da igreja. Toda a comunidade está convidada para tomar parte nesta tragédia.

AVISOS AOS PAROQUIANOS
Prezadas  senhoras, não esqueçam a próxima venda para beneficência. É uma boa ocasião para se livrar das coisas inúteis que há na sua casa. Tragam os seus maridos!

AVISOS aos paroquianos
Assunto da catequese de hoje: ‘Jesus caminha sobre as águas’
Assunto da catequese de amanhã: ‘Em busca de Jesus’

AVISOS aos paroquianos
O coro dos maiores de sessenta anos vai ser suspenso durante o verão, com o agradecimento de toda a paróquia.

AVISOS  aos paroquianos
O mês de novembro finalizará com uma missa cantada por todos os defuntos da paróquia.

AVISOS  aos paroquianos
O torneio de basquete das paróquias vai continuar com o jogo da próxima quarta-feira. Venham  nos aplaudir, vamos tentar derrotar o Cristo Rei!

AVISOS  aos paroquianos
O preço do curso sobre ‘Oração e Jejum’ não inclui a comida.

AVISOS  aos paroquianos
Por favor, coloquem suas esmolas no envelope, junto com os defuntos que desejem que sejam lembrados.
 
AVISOS aos paroquianos
Lembrem que na quinta-feira começará a catequese para meninos e meninas de ambos os sexos.

Show de Chuck Berry

A lenda viva do Rock and Roll, Chuck Berry, continua mais viva do que nunca e provou isso nesta quarta-feira (18), quando se apresentou em São Paulo, no HSBC Brasil. No palco apenas o essencial para um legítimo show do rock: os músicos, os instrumentos e nada mais. Vestido com um blazer vermelho recheado de paetês e um quepe de marinheiro, a única coisa que Chuck não conseguiu foi fazer o público se levantar das cadeiras.

Em clima de baile dos anos 50, quem se arriscou a levantar e dançar teve que ir para as beiradas da pista para não atrapalhar quem não se dispunha a sair da cadeira. Muitos vestiam terno e gravata e pareciam recém saídos de seus escritórios de trabalho. Se no palco um senhor de 81 anos imprimia o clima de rock, na platéia a coisa não era bem assim, exceto por alguns fãs de Chuck que ostentavam vastos topetes e costeletas estilo Elvis Presley.

O único momento em que realmente a platéia se levantou foi quando Chuck cantou o sucesso Johnny B. Goode. Durante a musica ele ainda ensaiou o famoso passinho “Duck Walk”, em que ele aponta a guitarra para o chão e pula de um pé só. No repertório apenas os grandes sucessos: Maybellene, Memphis, Rock and Roll Music, Sweet Little Sixteen, You Never Can Tell e My Ding a Ling. A maioria ele tocou após os fãs gritarem da platéia as musicas que queriam ouvir.

Para um senhor que inspirou Beatles e Rolling Stones até que sua voz e disposição não deixaram nada a desejar. A título de comparação Berry era como uma pessoa gaga. Quando falava com a platéia sua voz rouca e baixa deixava transparecer a idade, mas quando começava a cantar era imperceptível o peso da idade, assim como um gago quando canta não deixa transparecer sua dificuldade.

No palco ele estava completamente à vontade e a parceria com o baterista brasileiro Maguinho Alcântara, recrutado apenas para a turnê brasileira, estava afinada. Bastava uma troca de olhares entre Berry e Alcântara para um saber o que o outro queria tocar. Quem estava mais atrás, no entanto, teve dificuldades para ouvir os solos de Berry. Com uma regulagem aquém do esperado o som chegava lá como a mesma intensidade de um som portátil.

Antes de terminar Chuck pediu que subissem ao palco algumas meninas e mulheres que o ladearam e dançaram ao som de Johnny B. Goode e My Ding a Ling.

O show começou religiosamente no horário, as 21h30, e por conta dos constantes atrasos que costumam acontecer nos eventos realizados nas casas noturnas de São Paulo, parece que o público ficou mal acostumado e não chegou a tempo. Quando Berry arranhou os primeiros acordes a casa ainda não estava totalmente preenchida.

Neste ponto Berry sentiu o peso da idade e fez exatamente 01h06 de show. Muitos nem tinha acabado de tomar a sua primeira latinha de cerveja quando o ele saiu do palco. Aí foi a vez do público reclamar. Alguns até brincaram dizendo que o show tinha sido tão rápido que ainda daria tempo de ver o segundo tempo do jogo do Brasil X Argentina.

Mas, convenhamos, para quem tem 81 anos e inventou o rock até que não é nada mal.


O vídeo que fiz do show.

Marketeiro das “bonecas”

Nos anúncios Classificados de um jornal do interior fluminense, eis que encontro os criativos anúncios de Relax, agora com motivos Juninos. Eita ! Os números são reais e o DDD é 24. Aproveitem!

ROSINHA 9826-6600
Venha comer minha canjica, provar o meu quentão e assar sua espiga na minha fogueirinha. Arraiá da sacanagem.
Mª DE SALVADOR 8813-7850
Venha sentir o gosto da verdadeira pimenta baiana. Sinta o calor do vatapá, prove o meu carurú e derreta-se de tesão comendo meu acarajé.
MILENA 9859-1087
Ei amores sou uma fogueira na cama, oral inesquecível e anal maravilhoso. C/local.

Quem vai querer um autógrafo?

Abaixo reproduzo a crônica que escrevi (publicada hoje no Jornal da Tarde) sobre a noite de autógrafos do livro do Paulo Maluf - “Ele Maluf, Trajetória da Audácia”.
Sabe aquele comentário: “A gente é pobre mas se diverte”, então…

 

QUEM VAI QUERER UM AUTÓGRAFO?

O frio, que lá fora beirava os 9ºC, não espantou as 1.500 pessoas que compareceram, na segunda-feira (16), à noite de autógrafos do livro Ele Maluf, Trajetória da Audácia. Com tiragem inicial de 10 mil exemplares, foram vendidos, somente naquela noite, 806 unidades e a grande maioria aguardava na fila a oportunidade de receber uma dedicatória do deputado federal. Nem todos, entretanto, eram eleitores do político. Personagens como Daniele Alves, a Mercenária do Funk, e Francisco dos Santos, o Bigode, aguardavam a sua vez.

Políticos acompanhados de seus filhos, todos empertigados em seus ternos, e madames ostentando casacos de pele do quase extinto mink também se faziam notar. Os únicos que não sabiam como agir eram os seguranças. Ao pé do ouvido um comentava com o outro que nunca tinha recebido tantas “carteiradas” na vida. “É muita gente se dizendo ‘doutor’ e querendo furar fila.” A saída foi organizar duas fila, uma para as “autoridades” e outra para o povão. A das autoridades andava mais rápido.

Paulo Maluf era a celebridade da noite e os curiosos se espremiam junto aos jornalistas para tentar tirar uma foto da câmera do celular. Apenas em dois momentos as atenções saíram do político e miraram o repórter Danilo Gentili, do programa CQC, da Band, e depois Amaury Jr., da Rede TV. Para o colunista social, uma homenagem anônima. Algum funcionário da livraria não perdeu a oportunidade e colocou para tocar no sistema de som a trilha sonora de seu programa, a música Nice and Slow, e alguns curiosos cantarolaram o refrão: “Ô, ô. Ô, ô. Ô, ô”.

“Não voto no Maluf, acho que existem algumas denúncias contra ele que devem ser apuradas”, comentava, na fila, um estudante que, mesmo assim, esperava receber um autógrafo. Ao lado dele, um senhor de meia idade respondia com ar sério e imponente: “Ele realizou muitas obras”. Um pouco mais à frente, outro que furava a fila era o rabino Henry Sobel. “Nunca parei para pensar se votaria no Maluf, sou gringo, não voto aqui. Vim como amigo”, disse, aos jornalistas. Ele, a propósito, comprou o livro.

Sem caráter eleitoral
Com 240 páginas, o título é um relato que Maluf fez ao jornalista Tão Gomes Pinto. Ele traz ainda fotos do acervo pessoal do político e das obras que realizou. Maluf, no entanto, negou que o livro tenha caráter eleitoral. “Conto no livro um pouco dos bastidores da história política do Brasil que ainda não foi escrita”, explicou Maluf, negando pretensões de se candidatar à Academia Brasileira de Letras. “Se fosse Deus, eu daria mais 20 anos para a Zélia Gattai (morta em 17 de maio) continuar viva.”

Sobre o episódio de sua prisão, Maluf destacou que políticos como Washington Luís, Juscelino Kubitschek e também o presidente Lula já foram presos, sem detalhar que todos foram presos políticos. “Por isso, eu ainda tenho esperança.”

Tão Gomes Pinto afirmou não ter receio do fato de seu nome ser associado ao de Maluf. “Justamente por isso que a história dele deve ser contada. Ele é um personagem que já teve uma série de altos e baixos e quase foi eleito presidente da República. Para a grande maioria, ele passa a impressão de que é antipático, arrogante e às vezes grosseiro, mas, depois de conversar com ele, você percebe que é muito engraçado.”

Frase do Dia

Um famoso ditado irlandês:

“Resolvi não ser um homem comum… tenho o direito de ser incomum - se conseguir… Eu procuro uma oportunidade, não segurança… Quero assumir um risco calculado; sonhar e construir, falhar e vencer… recuso-me a trocar o estímulo por uma esmola… Prefiro os desafios da vida a uma existência pacata, a emoção da conquista à pasmaceira da utopia…”

Ilusão de ótica - Einstein - Marilyn Monroe

Por isso o Ronaldo fez o que fez, teve uma ilusão de ótica!!!

Se você olhar essa imagem de perto verá Albert Einstein. Mas se você se afastar cerca de 5 metros verá Marilyn Monroe.

Em algum lugar do passado

Já marcava 20h30 quando o professor dispensou a turma para o intervalo. “Gente, vamos respeitar o tempo e retornar para a sala na hora certa”, avisou aos alunos. Éramos todos universitários e mesmo não estando mais no segundo grau o horário do intervalo sempre foi um alento. Ainda mais para mim, que sempre aproveitava o tempinho para visitar meu avô. A casa dele ficava do outro lado da rua e meu pai me incentivava a ir para lá jantar. “É uma maneira de você evitar comer porcaria na rua”, dizia. Mas, mais do que isso, era um tempo que para mim era mais do que sagrado, era o momento de ver e conversar com meu avô.

“Ô Felipe, não vai lá hoje não. Vamos ficar aqui na cantina conversando”, diziam alguns amigos, mas a vontade de ver meu avô era maior. Para isso bastava atravessar a rua, pegar o elevador e apertar o número 8. Alguns segundos depois lá estava eu de frente para a porta tocando a campainha. Na maioria das vezes eu chegava e meu pai e meu avô já estavam na mesa jantando. Desta vez não foi diferente. Dei um beijo na testa do meu avô, contei para ele algumas amenidades (alguma coisa qualquer) e ele disse sorridente: “Mas que beleeeeza!”.

Então eu me sentei a mesa, peguei um prato no armário e abri um pote de palmito que pretendia comer sozinho. “Me arruma um palmito aí”, reclamou meu pai. Enquanto eu me virava para pegar o azeite, ele surripiou um palmito do meu pote. Não reclamei porque naquele dia tinha estrogonofe, e eu adoro estrogonofe.

Depois de comer fomos para a sala. O vô não gostava do sofá (até porque ele era monopolizado pela minha avó) por isso ele sempre se sentava no canto esquerdo da sala, bem embaixo da estante de livros. Um desses livros, com o título “TUDO” se destacava mais do que os outros por conta da sua larga brochura. Ele não gostava de se sentar na poltrona nova que tinha comprado a poucos dias, preferia se sentar em uma cadeira dessas de escritório. A cada ano ele trocava a cadeira. A deste ano tinha o estofado todo vermelho.

Então o Jornal Nacional começou e o vô ficou prestando atenção nas notícias. Não sei se o movimento era involuntário mas ele ficava com as duas mãos em cima dos joelhos fazendo movimentos do tipo “para cima e para baixo” simultaneamente. Em casa ele só vestia pijamas e desta vez ele estava usando um branco com listras pretas. O pijama era de botões e por ser confortável deixava a mostra um pedaço do peito. Ali aparecia uma cicatriz que ele “ganhou” nos anos 70 quando fez uma cirurgia no coração. “É um absurdo você usar dentro de casa a roupa que você usa na rua. Ela é suja. Faz o seguinte, se você não tem pijama, escolhe uma roupa qualquer só para usar dentro de casa”, ele me disse uma vez.

Invariavelmente ao lado dele repousava sob um guardanapo um copo de Coca-Cola light com muito gelo. Desta vez o copo estava apoiado em cima de um banquinho. No passado ele bebia a diet, mas hoje não se fabricam mais deste tipo. Mas, muito mais no passado, no lugar do copo de Coca-Cola ficava um copo de whisky, isso antes de ele se submeter a cirurgia. “Sempre gostei de whisky com muito gelo. Depois da operação no peito eu parei de beber álcool e passei a tomar Coca-Cola com muito gelo. Cheguei a conclusão de que eu não gostava nem de um nem de outro. Eu gostava mesmo era do ‘muito gelo’”, explicava entre um gole e outro de Coca (com muito gelo).

“Vô, na Groenlândia eles falam sueco, não é?”, perguntei entre um bate-papo e outro. Ele respondeu prontamente: “Não, lá eles falam dinamarquês”. “Mas eu tenho certeza que é sueco”, retruquei. Ele não se fez de rogado e tirou a copo de Coca do banquinho, me mandou segurar o refrigerante e subiu no banquinho para procurar um almanaque nas estantes de livros. Depois de alguns segundos folheando ele achou o verbete “Groenlândia” e me entregou provando que ele estava certo. Até hoje quando tenho dúvidas e vou procurar alguma coisa na biblioteca eu lembro dele me mostrando no livro as respostas certas. Mais surreal do que isso era a minha avó (que até então estava quieta) quando sem querer eu deixei escapar “O XV de Piracicaba goleou por 3×1 o Asa de Arapiraca ontem pela Copa do Brasil”, e ela respondeu “Foi 3×2 e foi pelo Campeonato Brasileiro Série B”. Assustado eu olhei para ela imaginando como ela sabia disso.

Então o Jornal Nacional acabou, o William Bonner e a Fátima Bernardes deram o tradicional “Boa Noite” e assim como 40% dos telespectadores brasileiros que assistem ao Jornal, meu avô também respondeu ao “Boa Noite” do William, como se ele pudesse ouvi-lo. O relógio de carrilhão no corredor bateu 21 horas (que o vô dava cordas mensalmente “primeiro a corda do lado esquerdo, depois do direito e depois a corda do meio”, ensinava). Nem tinha visto a hora passar, mas já estava na hora de voltar para a aula. Aí eu pensei: “Quer saber, não vou voltar coisa nenhuma”. Juntei minhas coisas e desci a rua. Queria voltar para casa e ver minha mãe.

Depois de uns 15 minutos de caminhada e uma friaca danada na cidade eu cheguei em casa. Flagrei o porteiro colando um aviso recheado de erros de português na porta do elevador, ignorei o recado e subi ao quinto andar. Em casa minha mãe estava no quarto deitada fazendo crochê e vendo televisão. “Tá com fome, meu filho? Tem comida na geladeira”, sempre me dizia quando chegava da faculdade. Não estava, tinha jantando na casa do vô, mas tava afim de tomar café e comer biscoito. E lá foi ela para a cozinha fazer café para mim. “Comprei pão, requeijão e queijo prato”, lembrou. Depois do café fui me deitar na cama dela para ver televisão e quando estava quase dormindo ela mandou eu ir para o meu quarto. Fui para o quarto mas já tinha perdido o sono. Tinha perdido mesmo, porque eu acordava e via que o ano já não era mais 2003 e sim 2008 e o dia tinha sido apenas mais um sonho.

Meu avô morreu em 07/06/2004
Minha mãe morreu em 16/10/2005

Vivo para trabalhar

Não fui eu que escrevi o texto abaixo, mas bem que poderia ter sido. É só mudar os lugares, ao invés da banca de jornal da Venâncio Aires, pela banca de Jornal da Praça Delegado Amoroso Neto. E o pior, o Campo de Marte ainda fica aqui perto, caso um avião resolva cair. No mais, eu acordo e vou dormir pensando no trabalho…

Eu vivo para trabalhar

Por Daniel Brito

Todo dia eu faço tudo sempre igual, me sacudo às 8h da manhã….

Desço na banquinha, na Venâncio Aires, sete andares abaixo da minha janela, e compro o JT e o Estadão. Leio o caderno de esportes dos dois de cabo a rabo. Vejo as fofocas em Variedades no JT, folheio as notícias sobre o trânsito e passo para o Estadão. Leio as colunas do caderno de Cultura, as críticas de cinema e passo para Economia. Passo os olhos no noticiário, demoro mais cinco minutos no caderno de cidades e vou para o primeiro caderno. Leio a editoria de Internacional, dou uma bizurada em política e paro nas páginas 2 e 3 para ler Opinião.

Enquanto acesso aa internet, ligo no SporTV para saber o que rolou nos outros jornais. Almoço pensando na pauta do dia e chego no jornal com pelo menos um texto na cabeça.

Depois de oito, nove horas de expediente, volto para casa pensando no que escrevi.

Resumindo: eu vivo para trabalhar.

Dizem que os cariocas são os que melhor sabem viver, porque, sabem exatamente o que fazer quando não estão trabalhando. Vão malhar, vão correr com o cachorro na praia, vão remar na Lagoa Rodrigo de Freitas, vão tomar UM chopp, vão escalar a Pedra da Gávea…opção não falta!

Eu realmente admiro as pessoas que sabem encaixar a vida normal aos horários do trabalho. Porque, no final das contas, todo mundo vive para trabalhar. No meu caso, eu não reclamo porque fico muito satisfeito quando produzo algo novo. E o jornalismo me dá essa possibilidade.

Não é o caso de um cara que trabalha numa empresa de contabilidade, que passa 15 dias preparando um balancete, ou até mesmo um arquiteto - que é uma profissão sensacional - que demora meses produzindo um super-prédio no estilo neo-clássico. Ou até mesmo um bancário, que todo dia salva ou mata vida de um monte de gente, mas faz algo todo dia, nao é verdade, Da Silva?

No jornalismo tem aquela história de que tem que ser “repórter 24 horas por dia”. Se cair um avião aqui em cima da banquinha na Venâncio Aires, agora de madrugada, eu vou lá embaixo apurar de qualquer maneira e NÃO vou cobrar hora extra. Muito pelo contrário.

Bom, deixa eu encerrar o assunto de hora extra nesta linha porque isso é muito controverso para jornalistas.

Aliás, se cair um avião na banquinha da Venâncio Aires, minha rotina vai mudar porque vou ter que procurar outro lugar para comprar o jornal.

Anyway, minha vida é regida pela redação. Pelos horários, temas, furos sofridos, entrevistas para cavar…

Todos os dias eu chego aa conclusão de que poderia ter feito muito melhor daquele jeito ou daquele outro. Durmo pensando no texto que vai ser publicado, para no outro dia acordar aas 8 da manhã e começar tudo de novo!

O mundo está de cabeça para baixo

O mundo está de cabeça para baixo

Roger Cohen*
No Rio de Janeiro

Durante algum tempo o mundo foi plano. Agora ele está de cabeça para baixo.

Para compreender isso, inverta sua forma de raciocinar. Veja o mundo desenvolvido como dependente do mundo em desenvolvimento, em vez do outro modo. Entenda que dois terços do crescimento econômico global no ano passado vieram dos países emergentes, cujas economias vão se expandir cerca de 6,7% em 2008, contra 1,3% para os Estados Unidos, o Japão e os países da zona do euro.

A drástica elevação nos preços de energia, commodities, metais e minerais produzidos principalmente no mundo em desenvolvimento explica parte dessa mudança. Isso criou os superávits de balança de pagamentos que abastecem a enxurrada de dólares para os ricos fundos soberanos em países como a China. Eles se divertem escolhendo uma participação na BP aqui, uma parte do Morgan Stanley ali e, porque não, umas lascas na Total.

Nós, espécies paleolíticas do mundo desenvolvido somos alvos das críticas dos novos ricos agora, com nosso papel de predador exaurido. Os Estados Unidos e a Europa poderão em breve necessitar de toda a caridade que conseguirem obter.

Para dar uma idéia melhor dessa inversão, ajuda estar no Brasil, onde o inverno (forma de falar) chega com o verão no hemisfério norte, e o otimismo econômico, tão exuberante quanto a vegetação, aumenta no mesmo ritmo acelerado das execuções de hipotecas nos Estados Unidos.

Imensas descobertas de petróleos nos campos em alto mar, um boom no etanol de cana-de-açúcar, vastas reservas de terras aráveis não utilizadas, riqueza mineral e abundante água fresca contribuem para o entusiasmo brasileiro. Mas os recursos naturais formam apenas uma parte da história. Como na China e na Índia, um mercado interno em expansão está impulsionando o crescimento. Da mesma forma, está aumentando a sofisticação corporativa e a ambição global.

No Fórum Nacional anual - uma reunião de líderes empresariais - senti-me como um insignificante representante do primeiro mundo enquanto os líderes da companhia nacional de energia Petrobras (maior que a BP, a Shell e a Total) e Companhia Vale do Rio Doce, ou CVRD (a segunda maior mineradora do mundo), despejavam estatísticas assombrosas.

A Petrobras, que está à frente do vigoroso esforço do Brasil em direção à auto-suficiência depois da pesada dependência de petróleo importado, há 30 anos, vai mais que duplicar a produção de petróleo para 4,2 milhões de barris diários em 2015, dos atuais 1,9 milhão de barris.

“Com as mais recentes descobertas, o Atlântico Sul vai se tornar um imenso produtor de petróleo”, prevê José Sérgio Gabrielli de Azevedo, seu principal executivo.

Roger Agnelli da CVRD dispensa os Estados Unidos (”tem muitas dívidas”) para concentrar-se nas ambições da empresa na Ásia. É imperativo estar lá, ele disse, porque é lá que estão o crescimento, o capital e a ambição. A China, ele observou, responderá por 55% do consumo de minério de ferro, 31,6% do níquel e 42% do alumínio até 2012. Não é preciso dizer mais nada.

Como muitas outras grandes corporações dos mercados emergentes, a CVRD está realizando uma série de aquisições. Não são apenas os fundos soberanos que estão adquirindo empresas no primeiro mundo hoje em dia. São os novos gigantes do NAN (”Newly Acquisitive Nations” ou países recém-compradores).

As fusões e aquisições nos mercados emergentes estão em alta de 17% no ano, crescendo para US$ 218 bilhões, enquanto no restante do mundo estão em queda de 43%, para US$ 991 bilhões, segundo a Thomson Reuters.

O Relatório de 2007 sobre Investimento Mundial da Unctad disse que o investimento estrangeiro direto no mundo em desenvolvimento totalizou US$ 193 bilhões em 2006, em comparação com a média anual para a década de 1990 de US$ 54 bilhões. Os números para os EUA em 2006 foram de US$ 216,6 bilhões.

A CVRD comprou a Inco do Canadá, uma mineradora de níquel, por US$ 17 bilhões em 2006. Quase comprou a mineradora anglo-suíça Xstrata por US$ 90 bilhões este ano. Na semana passada, a Vendanta Resources da Índia, chegou a um acordo de US$ 2,6 bilhões para a compra da mineradora norte-americana de cobre, Asarco. Esse acerto está sendo contestado pelo Grupo México, criando um combate latino-americano-asiático por uma empresa dos EUA.

Se você está achando difícil compreender isso, tente ficar de cabeça para baixo.

Essa também é uma boa posição para se apreciar a compra da Land Rover e Jaguar, da Ford, pela Tata Motors da Índia por US$ 2,3 bilhões, ou a aquisição, pela Tata Steel, no ano passado, da siderúrgica anglo-holandesa Corus Group, por US$ 12 bilhões.

A globalização agora é uma via de mão dupla; na verdade, é uma rua indiana com o tráfego insinuando-se em todas as direções.

“Em um mundo invertido, não só as economias em desenvolvimento tornaram-se forças dominantes nas exportações globais, no espaço de uns poucos anos, como suas empresas estão se transformando em importantes players na economia global, desafiando os poderosos que dominaram o cenário internacional no século 20″, disse Cláudio Frischtak, economista e consultor brasileiro.

A mudança que está acontecendo no poder econômico tem implicações que ainda não foram captadas pelo mundo desenvolvido. Claro que o G-8 e a constituição dos membros permanentes do Conselho de Segurança da ONU precisam ser mudados para refletir essa mudança. O século 21 não poderá ser conduzido com instituições do século 20.

Isso é óbvio. Menos óbvio é saber como os Estados Unidos, que garantem a segurança global a um grande custo, começarão a dividir esse ônus, para que a nova multi-polaridade de riqueza seja refletida em uma multi-polaridade de compromissos.

A postura de lótus (em Yoga, apoiando-se sobre a cabeça) é adequada para o próximo presidente dos EUA.

*Roger Cohen é editor do The International Herald Tribune

Idiotas da Subjetividade